Medo

|| || Nenhum comentário:


É engraçado como só temos medo do desconhecido.
Eu tenho medo de Aranhas.
Só de escrever esse nome, já fico arrepiada e varias delas começam a aparecer em minha imaginação.


Não tenho medo da morte e também não compreendo como as pessoas têm.
A morte é algo natural, misterioso e instigante.

Não sabemos o que pode acontecer depois, assim como não sei qual será o próximo passo da aranha.


São varias espécies diferentes, diferentes formas de atacar. Assim como a morte.
Mas temos uma coisa em comum com aranhas, nós morremos.

De certa forma estamos ligados por uma teia.

Uma teia entre o medo e a morte.                     
   Kary Alves

Poema: Cabeleira

|| || Nenhum comentário:
Cabeleira

E a constante lembrança de Carlos Augusto.


Mais que um estilo negado,
Ele é cotidianamente desfigurado
Por um padrão que não o encaixa.

Às vezes o patrão faz-se de rogado
E inventa não estar alinhado
A sua cabeleira e ele não cortava.

O chamado cabelo a dar com pau
E por causa do tal quererão dar-lhe porrada,
Pois o misto: pele preta, cabelo crespo, é fatal
E de maneira imoral, reduz-se o ser a nada.

Mais que a representação da cor e poder,
Na verdade está posto o próprio ser
Que se encontra naquele emaranhado.

É o conceito antecipado que busca ofender,
Degradar, que intenta fazer florescer
Erva daninha e eternizar o Cristo discriminado.

Não há de ser ou ele, ou seu cabelo.
Eles são um, únicos, único, perfeito
E resistir é evitar o absurdo.
Tantos bilhões de pessoas no planeta inteiro,
Tantos milhões de quilômetros no mesmo
E o seu cabelo não cabe no mundo.

Zéu Pereira- Cabeleira

Resenha: Travessia de Abismos

|| || Nenhum comentário:


 Livro: Travessia de Abismmos. 
 Autor: Cleberton Santos. 
 Editora: Via Litterarum.
 Ano: 2015.
 Total de Páginas: 94 Páginas.
 ISBN: 978-85-61878-08-5
 Resenha: O livro "Travessia do Abismo" é um livro carregado de palavras chaves que remetem ao sentimentos que são destrinchados nos versos contidos em cada página.Trata-se de um eu-lirico "poesia",que vaga pelo mundo trazendo a nostalgia para quem a ouve as suas palavras . A melancolia usada pelo autor Cleberton Santos presente em grande parte dos seus versos faz com que o leitor sinta o peso das palavras .Dessa forma o autor consegue passar para nós ,talvez a dor e agonia que o poeta sentia no momento da sua inspiração.


Escrito por: João Moreira
Data de Publicação: 17/11/2015

Entrevista Zéu Pereira

|| || Nenhum comentário:
Moisés Pereira de Jesus, também conhecido como Zéu Pereira, nasceu em Santo Amaro da Purificação – BA. Durante o percurso do ensino fundamental ele começa a escrever seus primeiros versos, desde então em maior ou menor periodicidade faz do papel e da caneta sua terapia. Sempre próximo das vertentes artísticas, participou do Grupo Faces de Teatro, no qual escreveu e dirigiu as peças “Eu amo Eu” e “Todo Mundo Mente”. Há dois anos idealizou e faz parte da organização do Recital de Poesia em Santo Amaro, espaço aberto para poesia e música, tendo sido realizadas mais de doze edições. É idealizador e apresentador do Programa Alternativo, na Regional FM, aos sábados à tarde, atração que intenta apresentar aos ouvintes músicas do cenário independente brasileiro.
Zéu Pereira está em fase de produção do seu primeiro livro de poesia, “Partículas”, em sua estreia o autor intenta demostrar sua versatilidade no que tange as temáticas que aborda: o amor, a transcendência, a crítica social; bem como a maneira que dispõe suas abordagens, com versos livres ou metrificados, versos brancos ou rimados, além de alguns poemas de forma fixa. Por conta do projeto de seu livro, Zéu Pereira aos poucos vem apresentando seu trabalho em algumas revistas como a digital Revista Arte Brasileira e em edições da Revista Entreverbo (Canoas-RS), desta pode-se observar a poesia “Cabeleira”, na qual o autor apresenta uma crítica ao padrão de beleza e de comportamento imposto pela sociedade, que dirige preconceito e racismo ao povo negro, já tão subjugado por nossa história.



Entrevista : Val Caetano

|| || Nenhum comentário:
Val Caetano
Cantor, compositor e poeta, Jorgenval M. de Jesus Caetano, conhecido artisticamente como Val Caetano, nasceu no dia 22 de março, em encarnação, no município de Salinas da Margarina - Ba. O poeta, nesta segunda-feira (17/11), falou em entrevista um pouco sobre uma de suas composições preferidas, chamada "Viaduto", canção tema do seu mais novo CD.

Ele conta: " É uma música que gerou uma grande repercussão. Justamente por retratar a situação das pessoas que vivem em baixo de viadutos, especialmente à noite, onde fazem de papelões seus colchões, disputando espaço para dormir, e nessa canção, acho que pude fazer as pessoas pensarem em tudo o que têm e não valorizam.".

Fala sobre o que a música causa nas pessoas: "Pensarem que aquelas pessoas estão ali, sem trabalho, moradia..."

 Sua composição, "Viaduto", traz uma letra forte e bem elaborada. Fala sobre a pobreza e miséria em que muitas pessoas vivem em nosso país. Devemos nos sentir honrados em saber que ainda há pessoas que conseguem enxergar a realidade em que vivemos e que fazem o possível para divulgar isso. Fazer as pessoas se mobilizarem e se conscientizarem.

 Diz mais: " Não possuem nada na vida! É uma música triste, mas ao mesmo tempo real, uma música que chama a atenção da população para o que realmente acontece na nossa sociedade, e para o descaso do poder pública à essa situação.


VAMOS ZERAR, COMEÇAR DE NOVO
E APAGAR O MAL QUE AQUI SE FEZ PRA ESSE POVO
VAMOS ZERAR, COMEÇAR DE NOVO
E CORRIGIR O MAL QUE AQUI SE FEZ PRA ESSE POVO
NÃO É SONHO, DEIXE EU LUTAR
BASTA QUERER QUE TUDO VAI MUDAR

(Trecho da Música: Viaduto, Composição: Val Caetano.)

Fontes(1, 2)

Biografia: Jorge Amado

|| || Nenhum comentário:


Nome: Jorge Leal Amado de Faria.
Data de Nascimento: 10/08/1912.
Local de Nascimento: Itabuna - BA.
Data de Morte: 06/08/2001.
Local da Morte: Salvador - BA.
Ocupação: Escritor, jornalista e político.
Biografia: Jorge Amado nasceu na fazenda Auricídia, em Ferradas, município de Itabuna. Filho do "coronel" João Amado de Faria e de Eulália Leal Amado, foi com apenas um ano para Ilhéus, onde passou a infância. Mudou-se para Salvador, onde passou a adolescência e entrou em contato com muitos dos tipos populares que marcaria sua obra.
Aos 14 anos, começou a participar da vida literária de Salvador, sendo um dos fundadores da Academia dos Rebeldes, grupo de jovens que (juntamente com os do Arco & Flecha e do Samba) desempenhou importante papel na renovação das letras baianas. Entre 1927 e 1929, foi repórter no "Diário da Bahia", época em que também escreveu na revista literária "A Luva".
Estreou na literatura em 1930, com a publicação (por uma editora carioca) da novela "Lenita", escrita em colaboração com Dias da Costa e Édison Carneiro. Seus primeiros romances foram "O País do Carnaval" (1931), "Cacau" (1933) e "Suor" (1934).

Jorge Amado bacharelou-se em ciências jurídicas e sociais na Faculdade de Direito no Rio de Janeiro (1935), mas nunca exerceu a profissão de advogado. Em 1939, foi redator-chefe da revista "Dom Casmurro". De 1935 a 1944, escreveu os romances "Jubiabá", "Mar Morto", "Capitães de Areia", "Terras do Sem-Fim" e "São Jorge dos Ilhéus".

Em parte devido ao exílio no regime getulista, Jorge Amado viajou pelo mundo e viveu na Argentina e no Uruguai (1941-2) e, depois, em Paris (1948-50) e em Praga (1951-2).
Voltando para o Brasil durante o Segunda Guerra Mundial, redigiu a seção "Hora da Guerra", no jornal "O Imparcial" (1943-4). Mudando-se para São Paulo, dirigiu o diário "Hoje" (1945). Anos depois, no Rio, participou da direção do semanário "Para Todos" (1956-8).
Em 1945, foi eleito deputado federal pelo Partido Comunista Brasileiro, por São Paulo, tendo participado da Assembleia Constituinte de 1946 e da primeira Câmara Federal posterior ao Estado Novo. Nessa condição, foi responsável por várias leis que beneficiaram a cultura. De 1946 a 1958, escreveu "Seara Vermelha", "Os Subterrâneos da Liberdade" e "Gabriela, Cravo e Canela".

Em abril de 1961, foi eleito para a cadeira número 23 da Academia Brasileira de Letras (sucedendo Otávio Mangabeira). Na década de 1960, lançou as obras "Os Velhos Marinheiros" (que compreende duas novelas, das quais a mais famosa é "A morte e a morte de Quincas Berro d'Água"), "Os Pastores da Noite", "Dona Flor e Seus Dois Maridos" e "Tenda dos milagres". Nos anos 1970, vieram "Teresa Batista Cansada de Guerra", "Tieta do Agreste" e "Farda, Fardão, Camisola de Dormir".
Suas obras foram traduzidas para 48 idiomas. Muitas se viram adaptados para o cinema, o teatro, o rádio, a televisão e até as histórias em quadrinhos, não só no Brasil, mas também em Portugal, França, Argentina, Suécia, Alemanha, Polônia, Tchecoslováquia (atual República Tcheca), Itália e EUA.

Seus últimos livros foram "Tocaia Grande" (1984), "O Sumiço da Santa" (1988) e "A Descoberta da América pelos Turcos" (1994).
Além de romances, escreveu contos, poesias, biografias, peças de teatro, histórias infantis e até um guia de viagem. Sua esposa, Zélia Gattai, é autora de "Anarquistas, Graças a Deus" (1979), "Um Chapéu Para Viagem" (1982), "Senhora Dona do Baile" (1984), "Jardim de Inverno" (1988), "Pipistrelo das Mil Cores" (1989) e "O Segredo da Rua 18" (1991). O casal teve dois filhos: João Jorge, sociólogo e autor de peças infantis; e Paloma, psicóloga.
Jorge Amado morreu perto de completar 89 anos, em Salvador. A seu pedido, foi cremado, e as cinzas, colocadas ao pé de uma mangueira em sua casa.

Biografia: Dorival Caymmi

|| || Nenhum comentário:

Nome: Dorival Caymmi 
Data de Nascimento: 30/04/ 1914 
Local de Nascimento: Salvador BA
Data de Morte: 16/08/2008
Local da Morte: Rio de Janeiro
Ocupação: Cantor,compositor,ator,violonista e pintor.
Biografia: Dorival Caymmi interrompeu os estudos no primeiro ano do ginásio, para trabalhar como auxiliar de escritório e, depois, caixeiro-viajante. Aprendeu a tocar violão sozinho, desenvolvendo um estilo pessoal, e compondo sua primeira canções, "No Sertão" (1930). Em 1935 Começa a cantar no rádio , estreando o programa "Caymmi e Suas Canções Praieiras" na Rádio Clube da Bahia.
Em 1938 vai para o Rio de Janeiro,onde consegue apresentar-se na Rádio Transmissora cantando o samba "O Que É Que a Baiana Tem?", mais tarde incluído no filme Banana da Terra, com Carmen Miranda, alcançando sucesso nacional. Um ano depois passa a atuar na prestigiosa Rádio Nacional no Rio de Janeiro, onde conhece a Stella Maris, com quem se casa mais tarde. Nos anos 70, foi condecorado pelo governo baiano. Apresenta as músicas "Oração para Mãe Menininha e "Modinha para Gabriela", da trilha sonora da novela Gabriela.

"O Dorival é um gênio. Se eu pensar em música brasileira, eu vou sempre pensar em Dorival Caymmi. Ele é uma pessoa incrivelmente sensível, uma criação incrível. Isso sem falar no pintor, porque o Dorival também é um grande pintor." Tom Jobim.

Algumas obras:

Samba da Minha Terra, 1940
Rosa Morena,1942
Marina,1947
Não Tem Solução, 1952
João Valentão, 1953
Maracangalha,1956

Resenha: Vila Real

|| || Nenhum comentário:


 Livro: Vila Real. 
 Autor: João Ubaldo Ribeiro. 
 Editora:Editora Alfaguara.
 Ano: 2012.
 Total de Páginas: 168 Páginas.
 ISBN:978-85-79621-65-9
 Sinopse: Vila Real é um romance dotado de tensão e violência. Publicado originalmente em 1979, este livro de João Ubaldo Ribeiro é uma complexa metáfora dos conflitos rurais que respingam de sangue a história do Brasil. Ambientada nas imediações de uma pequena cidade fictícia do sertão nordestino, a narrativa descreve a luta de camponeses contra a “Caravana Misteriosa”, como apelidam uma empresa mineradora que lhes tomara as terras.

Aliando-se ao temido Filho de Lourival, ao feroz Alarico e aos incendiários padres Bartolomeu e Benedito, Argemiro trava um sangrento embate no acampamento atacado pelo inimigo. Apesar das perdas, eles vencem a batalha – mas não a guerra. Argemiro acaba por se refugiar com seu povo junto ao rio Japiau. Lá, reúnem forças para seguir com a luta, ainda que a vitória lhes pareça cada vez mais incerta.

Entre fugir e morrer, os sem-terra decidem resistir, mesmo que a vitória lhes pareça impossível. Mesmo diante da dureza do sertão nordestino, implacável por sua natureza agreste e suas injustiças sociais, Argemiro e a população de Vila Real resistem e fazem o máximo para saírem vitoriosos do trágico embate. Através das próprias reflexões dos personagens, vida, morte e a condição humana são abordadas com um olhar profundo.

João Ubaldo Ribeiro faz em Vila Real um retrato da rústica imposição dos poderosos sobre os despossuídos, questão tão presente nos conflitos rurais. Ao mesmo tempo em que representa uma denúncia da perpétua injustiça social no campo e no sertão, o romance vai além. O autor mostra um olhar agudo sobre a miséria humana – e a esperança de superá-la.

Biografia: João Ubaldo Ribeiro

|| || Nenhum comentário:
João Ubaldo Ribeiro
  João Ubaldo Ribeiro, nasceu nas cidade de Itaparica, em 29 de janeiro de 1941. A formação literária do escritor iniciou nos primeiros anos de estudante. Foi um dos jovens escritores brasileiros que participaram do Internacional Writing Program da Universidade de Iowa. Além disso, foi ganhador do Prêmio Camões de 2008, maior premiação para autores de língua portuguesa.
 
Trabalhando na imprensa, pôde também escrever livros de ficção e construir uma carreira que o consagrou como romancista, cronista, jornalista  e tradutor. O autor é o sétimo ocupante da cadeira número 34, na Academia Brasileira de Letras, eleito em 7 de outubro de 1993. também faz parte da Academia de Letras da Bahia.

Nascido na Bahia na casa do avô materno, quando completou dois meses de idade a família mudou-se para Aracaju, Sergipe, onde passou parte da infância. Manuel Ribeiro, seu pai, advogado de renome na capital baiana, veio a ser o fundador e diretor do curso de Direito da Universidade Católica de Salvador. Sua mãe Maria Filipa Osório Pimentel deu à luz mais dois filhos: Sônia Maria e Manuel.

Incentivado por seu pai leu autores como Padre Antônio Vieira, Padre Manuel Bernardes, Shakespeare, Homero, Miguel de Cervantes, Machado de Assis e José de Alencar, dentre outros, que o influenciaram desde a tenra idade

Alfabetizado, ingressou no Instituto Ipiranga, em 1948, ano em que leu muitos livros infantis, principalmente a obra de Monteiro Lobato. O pai de João sempre fora exigente, o que fez do garoto se empenhar intensamente nos estudos.

Em 1958 iniciou seu Curso de Direito na Universidade Federal da Bahia. Em 1959, entrou para o curso do Centro de Preparação de Oficiais da Reserva do Exército no CPOR da Bahia., mas não chegou a completá-lo: escolhido para compor um grupo de estudantes convidado para uma viagem para os Estados Unidos, na volta ao quartel foi injustamente desligado.

Obras mais importantes:

- Sargento Getúlio(1971);
- Vila Real (1979);
- Viva o povo brasileiro(1989);

Entrevista: Cleberton Santos

|| || Nenhum comentário:

Na última segunda-feira (16/11), o escritor e poeta Cleberton Santos respondeu a uma entrevista realizada pelas estudantes Erika Mendes e Jeani Thizar, na qual contou um pouco sobre sua vida no mundo da literatura.


Cleberton Santos
 Nascido em Propriá -Sergipe, em 1979, Cleberton atua como crítico literário, Mestre em Literatura e Diversidade Cultural pela Universidade Estadual de Feira de Santana(UEFS) e professor de Língua Portuguesa do Instituto Federal da Bahia (IFBA).

Em entrevista contou um pouco sobre suas obras : "Minhas primeiras publicações iniciaram-se em 1997, com poemas em Antologias e Jornais. Em 2000, publiquei  meu primeiro livro "Ópera urbana”, iniciando uma sequência de obras que marcam minha  trajetória como escritor.".

Atualmente possui 5 livros lançados: "Ópera urbana” (poesia, 2000); “Lucidez silenciosa” (poesia, 2005); “Cantares de roda” (poesia, 2011); “Aromas de Fêmea” (poesia, 2013); "Estante Viva” (crítica literária, 2013 ); e "Travessia de abismos" (poesia, 2015).

O escritor conclui sua entrevista falando um pouco sobre suas inspirações pra escrever. Ele conta:"Procuro inspirar-me na minha própria vida para produzir minhas obras, no cotidiano, leituras, músicas,sentimentos de um modo geral, e principalmente em experiências com a arte. ". 



POEMA AUSENTE
Há uma ausência de ritmos
em cada passo desta tarde.

Outonais, devorando meu olhar,
nuvens marcham dissonante harmonia.
Uma lembrança infinda, flor imemorável,
acalenta soluços que desmaiam na taça de vinho.

Há uma ausência de passos
nesta tarde
longa tarde sem ritmos.

                                      Lucidez silenciosa (2005)
Saiba mais!


 

Biografia: Castro Alves

|| || Nenhum comentário:


 Nome Completo: Antônio Frederico de Castro Alves. 
 Data de Nascimento: 14 de março de 1847. 
 Local de Nascimento: Fazenda Cabaceiras, próxima a Curralhinho, atual Castro Alves.
 Data de Morte: 6 de julho de 1871 (24 anos).
 Local da Morte: Salvador.
 Ocupação: Poeta
 Biografia: Era filho de Antônio José Alves e Clélia Brasília Castro. Sua mãe faleceu em 1859. No colégio, no lar por seu pai, iria encontrar uma atmosfera literária, produzida pelos oiteiros, ou saraus, festas de arte, música, poesia, declamação de versos. Aos 17 anos fez as primeiras poesias. Antônio Frederico de Castro Alves foi um importante poeta brasileiro do século XIX. Nasceu na cidade de Curralinho (Bahia) em 14 de março de 1847.No período em que viveu (1847-1871), ainda existia a escravidão no Brasil.

O jovem baiano, simpático e gentil, apesar de possuir gosto sofisticado para roupas e de levar uma vida relativamente confortável, foi capaz de compreender as dificuldades dos negros escravizados.Manifestou toda sua sensibilidade escrevendo versos de protesto contra a situação a qual os negros eram submetidos. Este seu estilo contestador o tornou conhecido como o “Poeta dos Escravos”.
Aos 21 anos de idade, mostrou toda sua coragem ao recitar, durante uma comemoração cívica, o “Navio Negreiro”. A contra gosto, os fazendeiros ouviram-no clamar versos que denunciavam os maus tratos aos quais os negros eram submetidos. Além de poesia de caráter social, este grande escritor também escreveu versos líricos-amorosos, de acordo com o estilo de Vítor Hugo. Pode-se dizer que Castro Alves foi um poeta de transição entre o Romantismo e o Parnasianismo.

ALGUMAS OBRAS:

- Espumas Flutuantes, 1870
- A Cachoeira de Paulo Afonso, 1876 
- Os Escravos, 1883

Eu já não tenho mais vida!
Tu já não tens mais amor!
Tu só vives para o riso,
eu só vivo para dor.

(Fontes: 1, 2, 3)

Poema: Pinto

|| || Nenhum comentário:
Vamos começar pelo final: Sim! Ele morreu. Já é a segunda vez que isso acontece.
Tenho pintos no quintal, não são meus, são do meu pai.
Tenho um cachorro no quintal.
Meu cachorro mata pintos.
Eu não ligava.
Até conhecer O Pinto.
Ele não tinha medo de mim.
Eu não tinha medo dele.
Nós brincávamos.
Eu estava na cozinha com ele.
Meu cachorro estava no quintal, preso como sempre.
O Pinto foi para o quintal.
O cachorro o matou.
Eu fiquei triste. Hoje conheci vários pintos no quintal.
Assim como aquele Pinto, eles não tinham medo de mim. Eu gostava de todos eles.
Eu gosto de todos eles.
Exceto o que meu cachorro matou hoje.
A culpa foi minha.
Os pintos estavam com fome.
Coloquei comida para o cachorro.
Os pintos foram comer a comida do cachorro.
Um pinto foi comido.
E de novo, vi tudo se repetindo.
De novo, meu cachorro comeu um pinto.
Um pinto que eu gostava.
Eu não o defendi.
Tive medo do meu cachorro.
Tive nojo de chegar perto.
Tive medo. Fui covarde.
O pinto morreu.

Karine Alves.

Poema: E se eu morrer amanhã...?

|| || Nenhum comentário:
E se eu morrer amanhã...?
O sol continuará a brilhar?
 A lua na noite iluminará?
Você se lembrará de mim?
 Enfim... Será que as flores perfumarão
E os sonhos continuarão
 A ser o combustível da vida?
A música será a musa dos sentimentos?
Você se lembrará de mim por um momento?
Lembrará do brilho dos meus olhos
E da meiguice do meu sorriso?
Mas... e se eu morrer amanhã?
As lembranças serão o seu acalento?
As lágrimas cairão em prantos
Ou será uma mera fingidora?
Eu não sei o que seria de mim,
Se eu morresse amanhã...
Eu ficaria triste, infeliz,
Arrependido do que não fiz,
Perderia a lucidez.
Como num filme enxergaria.
Os abraços que não dei,
Os beijos que não beijei.
A fuga do carinho,
As horas longe de ti,
Os momentos que perdi.
Seu sorriso, sua voz,
A saudade, a simplicidade,
O não ter dito:
- Eu te amo, com sinceridade!
Se eu morresse amanhã...
Lembraria do hoje, do agora.
De não ter vivido em intensidade constante.
Mas como hoje eu não morri,
Continuo amando, me apaixonado, com lealdade ao presente.
Porque o amanhã ainda é tão distante e talvez nem exista.
Celeste Farias Dias – E se eu morrer amanhã

Livro: Mundo, Antologia Poética

|| || Nenhum comentário:


 Livro: Mundo, Antologia Poética. 
 Autor: Ivan Almeida. 
 Editora: Cogito.
 Ano: 2013.
 Total de Páginas: 142 Páginas.
 Sinopse: Organizada por Ivan de Almeida, a Mundo conta na sua primeira edição com 22 poetas, prefácio do poeta e jornalista baiano radicado em Fernando Coelho e nota de orelha do professor Emeérito da Ufba e membro da Academia Baiana de Letras Eivaldo Boaventura. Participam da antologia poética Apresentação, Ana Moreira, Celeste Farias Dias, Cláudio Hermínio, Claudio Poeta, Franklin Lopes de Freitas, Guilherme Estermann Meyer, Ivan de Almeida, Ivone Alves Sol, Jairo Pinto, Josue Ramiro Ramalho,Luciene Lima, Malú Ferreira, Marcos F. Auerbach, Marilaine Guadalajara, Marluce Persil, Morgana Gazel, Patrícia Dantas, Patricia Lins, Sandra L. Stabile Queiroz, Sara Regina, Valdeck Almeida de Jesus eVanina Cruz.

Autores Baianos: Igor Rossoni

|| || Nenhum comentário:

Mini-biografia: Igor Rossoni, é um escritor, ensaísta e arquiteto Baiano. Doutor em Literatura Brasileira pela UNEP/SJR Preto-SP, atualmente é professor nos cursos de graduação e pós-graduação do ILUFBA (Instituto de Letras | Universidade Federal da Bahia). 
Publicou: Pátio (1981), Vértebra (1983), Zen e a poética auto-reflexiva de Clarice Lispector: uma literatura de vida e como vida(2002); Os inocentes (2006); Fotogramas do imagiário: Manoel de Barros (2007); Capturas do instante (2007); Exercício para clarineta (2010);

“Penetrar no universo discursivo de Igor Russoni representa uma aparente dificuldade”. ROSSANI,Igor.

Resenha: Os Inocentes

|| || Nenhum comentário:


 Livro: Os Inocentes. 
 Autor: Igor Rossoni. 
 Editora: Vento Leste.
 Ano: 2006.
 Total de Páginas: 60 Páginas.
 ISBN: 978-85-99768-02-0.
Sinopse: Uma obra inteiramente voltada para a reflexão e interação do leitor com o autor. Inicialmente apresentando uma aparente dificuldade, exposta através de contos que sensibilizam o leitor com o sentido trágico do homem, de si. Conversas entre irmãos, mãe e filha, experiência de ciúmes, indignações, desencontro consigo mesmo, a morte aos poucos de cada dia. Fatos cotidianos, reflexões que em boa parte passam despercebidas, espectros que são trazidos pelo autor em sua visão minuciosa, que em determinado momento da leitura evidenciam certo ar de quietude tensa ao refletir indagações.

  • Não são contos lineares, tão pouco parecidos contextualmente, entretanto, carrega uma série de provocações que exige do leitor uma sensibilidade maior, além de promover a interação do texto escrito com as vivencias de quem está lendo. 

“Penetrar no universo discursivo de Igor Rossoni representa uma aparente dificuldade”. ROSSONI,Igor.

Resenha: Três Infâncias

|| || Nenhum comentário:


 Livro: Três Infâncias. 
 Autor: Mayrant Gallo. 
 Editora: Casarão do Verbo.
 Ano: 2011.
 Total de Páginas: 103 Páginas.
 ISBN: 978-85-61878-08-5
 Sinopse: Em Moinhos, um homem e seu filho lutam  quixotescamente para receber o dinheiro que lhes  permitirá  sobreviver à própria vida. Ao fim da  aventura, o garoto  descobre que precisará reagir para  salvar a si mesmo do que  fizeram com seu pai. Na  segunda história, O Ritual no Jardim,  estruturada em  manchas de cronologia livre, três crianças  avançam  através de dramas e brincadeiras rumo à idade adulta,  numa fictícia cidade do Rio de Janeiro da época da  Segunda  Guerra. Em Dias de Garoto, um menino à  espera de que tudo  fosse diferente...

Nessa obra, Mayrant Gallo reune três histórias que nos contam o caminhos áspero e difícil que é a fase de transição entre a infância e a adolescência. Essas histórias mostram o quão dura a vida pode ser para alguns, e suas principais personagens são crianças, que crescem em meio à pobreza, saudades e fracassos. A primeira história se chama Moinhos, e nela, somos levados por um garoto que segue o seu pai, sua única família, uma vez que sua mãe falece. O garoto segue o seu pai durante todos os dias para cobrar uma quantia de dinheiro que lhe é devida. Vão ao prédio onde mora o antigo patrão do homem, um engenheiro estrangeiro que o enganava. Entretanto, nada recebem. O garoto então aprende, desde cedo, que a vida não é fácil e que precisa ser forte para superar toda a dificuldade, crueldade e humilhação que lhes é imposta.

"Naquela época, e especialmente naquele dia, eu faria de tudo por meu pai, até sangrar se fosse o caso. E pelo mais sórdido motivo. Por ele daria meu braço às agulhas, me exporia às navalhas."

 O segundo conto é se chama O Ritual no Jardim e é completamente disposto em manchas, ou seja, tem cronologia livre, podendo ser lido a partir de onde o leitor preferir. Essa reunião de pequenos capítulos narram uma história de medos, desejos, aventuras, felicidades e tristezas. Suas principais personagens são Fifi, Bebel e Dudu, que são crianças de uma família de uma Rio de Janeiro fictícia, na época da Segunda Guerra. As manchas mostram o crescimento das crianças, a perda da inocência, as desilusões e as lições aprendidas.

"A tarde é dura de transpor. O sol castiga as almas. As crianças, à sombra da árvore do sono, imaginam outras coisas. Na casa, a gente grande dorme - como dormem! Napoleão perfura o mundo com o corpo, a sonhar alto. É inevitável que a vida passe. (Mancha nº 90: FIM)"

 A terceira e última história se chama Dias de Garotos. Nela, Gallo trás a história de um garoto que queria que tudo fosse diferente. Ele gasta o seu tempo observando tudo da sua janela. Ele vê os garotos brincarem lá fora, uma caminhonete abduzir a irmã, a chuva cair, as pessoas passarem e os anos correrem um após os outros. Em sua infância ele percebe que a vida é feita de desejos, de perdas e ausências. E que não adianta apenas querer que as coisas sejam diferentes, é necessário mais que isso.

"Ele não compreendia nada. Mas não dizia nada.
Não perguntava nada.
Ainda esperava que os dias fossem diferentes,
Ficassem diferentes.
Que algo acontecesse."

 O livro é daqueles que prende o leitor, contagia e deixa um gosto de quero mais. Mayrant não só mostra que a infância nem sempre é doce e alegre, mas também dura e cruel. As personagens são crianças, mas a obra se encaixa até mesmo no gosto dos adultos, afinal, até o mais sisudo e responsável adulto já foi crianças um dia.

Gallo, Mayrant. Três Infâncias. Bahia: Anajé, 2011.