Livro: Três Infâncias. Autor: Mayrant Gallo. Editora: Casarão do Verbo. Ano: 2011. Total de Páginas: 103 Páginas. ISBN: 978-85-61878-08-5 Sinopse: Em Moinhos, um homem e seu filho lutam quixotescamente para receber o dinheiro que lhes permitirá sobreviver à própria vida. Ao fim da aventura, o garoto descobre que precisará reagir para salvar a si mesmo do que fizeram com seu pai. Na segunda história, O Ritual no Jardim, estruturada em manchas de cronologia livre, três crianças avançam através de dramas e brincadeiras rumo à idade adulta, numa fictícia cidade do Rio de Janeiro da época da Segunda Guerra. Em Dias de Garoto, um menino à espera de que tudo fosse diferente...
Nessa obra, Mayrant Gallo reune três histórias que nos contam o caminhos áspero e difícil que é a fase de transição entre a infância e a adolescência. Essas histórias mostram o quão dura a vida pode ser para alguns, e suas principais personagens são crianças, que crescem em meio à pobreza, saudades e fracassos.
A primeira história se chama Moinhos, e nela, somos levados por um garoto que segue o seu pai, sua única família, uma vez que sua mãe falece. O garoto segue o seu pai durante todos os dias para cobrar uma quantia de dinheiro que lhe é devida. Vão ao prédio onde mora o antigo patrão do homem, um engenheiro estrangeiro que o enganava. Entretanto, nada recebem. O garoto então aprende, desde cedo, que a vida não é fácil e que precisa ser forte para superar toda a dificuldade, crueldade e humilhação que lhes é imposta.
"Naquela época, e especialmente naquele dia, eu faria de tudo por meu pai, até sangrar se fosse o caso. E pelo mais sórdido motivo. Por ele daria meu braço às agulhas, me exporia às navalhas."
O segundo conto é se chama O Ritual no Jardim e é completamente disposto em manchas, ou seja, tem cronologia livre, podendo ser lido a partir de onde o leitor preferir. Essa reunião de pequenos capítulos narram uma história de medos, desejos, aventuras, felicidades e tristezas. Suas principais personagens são Fifi, Bebel e Dudu, que são crianças de uma família de uma Rio de Janeiro fictícia, na época da Segunda Guerra. As manchas mostram o crescimento das crianças, a perda da inocência, as desilusões e as lições aprendidas.
"A tarde é dura de transpor. O sol castiga as almas. As crianças, à sombra da árvore do sono, imaginam outras coisas. Na casa, a gente grande dorme - como dormem! Napoleão perfura o mundo com o corpo, a sonhar alto. É inevitável que a vida passe. (Mancha nº 90: FIM)"
A terceira e última história se chama Dias de Garotos. Nela, Gallo trás a história de um garoto que queria que tudo fosse diferente. Ele gasta o seu tempo observando tudo da sua janela. Ele vê os garotos brincarem lá fora, uma caminhonete abduzir a irmã, a chuva cair, as pessoas passarem e os anos correrem um após os outros. Em sua infância ele percebe que a vida é feita de desejos, de perdas e ausências. E que não adianta apenas querer que as coisas sejam diferentes, é necessário mais que isso.
"Ele não compreendia nada. Mas não dizia nada.Não perguntava nada.Ainda esperava que os dias fossem diferentes,Ficassem diferentes.Que algo acontecesse."
O livro é daqueles que prende o leitor, contagia e deixa um gosto de quero mais. Mayrant não só mostra que a infância nem sempre é doce e alegre, mas também dura e cruel. As personagens são crianças, mas a obra se encaixa até mesmo no gosto dos adultos, afinal, até o mais sisudo e responsável adulto já foi crianças um dia.
Gallo, Mayrant. Três Infâncias. Bahia: Anajé, 2011.
Nenhum comentário:
Postar um comentário